Pular para o conteúdo
ChaveCondo

Manutenção preventiva de condomínio: o plano e o calendário

Manutenção

Todo prédio faz manutenção. A diferença entre um condomínio caro e um condomínio barato de manter não é
se faz — é quando.

Existe um número que separa os dois, e ele é fácil de calcular no seu prédio: a proporção entre o que foi
feito antes de quebrar e o que foi feito depois.

O número que revela o estado da sua administração

Quando um sistema de administração condominial que rodou anos num edifício de Fortaleza foi analisado,
os serviços executados por empresas contratadas se dividiam assim:

271 preventivas · 259 corretivas · 75 eventuais

Praticamente uma preventiva para cada corretiva.

Isso é raro. Um prédio que só reage — e a maioria só reage — chega perto de 90% de corretiva. Ali, a
preventiva era agendada e cumprida com a mesma disciplina do conserto urgente, e é essa disciplina que
produz o resto: elevador que não para no dia da mudança, bomba que não queima no fim de semana, vistoria
que não gera multa.

Faça a conta no seu prédio. Pegue os últimos doze meses e separe cada serviço em duas pilhas: o que
foi agendado e o que foi chamado às pressas. A proporção que sair dali diz mais sobre a sua administração
do que qualquer balancete.

Preventiva não é a mesma coisa que contrato de manutenção

Confusão comum, e cara.

Ter contrato com a empresa de elevador não significa ter manutenção preventiva. Significa que existe
alguém para chamar. A preventiva é o que está no calendário e acontece sem ninguém pedir — e o
contrato só entrega isso quando o síndico acompanha se entregou.

A pergunta certa não é “temos contrato?”. É: “quando foi a última visita preventiva, o que foi feito
nela, e onde está o registro?”

De onde vem a periodicidade — as três fontes que mandam

Este é o ponto em que a maioria dos artigos sobre o assunto erra: publica uma tabela de prazos como se
fosse lei nacional. Não é. A frequência correta de cada item vem de três lugares, nessa ordem:

1. O manual do fabricante e o manual do edifício. Todo equipamento tem periodicidade recomendada por
quem o fabricou, e todo prédio entregue deve ter o manual de uso, operação e manutenção. É a fonte mais
específica e a mais ignorada — normalmente porque ninguém sabe onde ele foi parar.

2. A legislação local. Corpo de bombeiros, vigilância sanitária e prefeitura definem exigências que
mudam de cidade para cidade e mudam com o tempo. O que vale em Fortaleza não é o que vale em São Paulo.

3. O contrato com o prestador. Ele diz quantas visitas você comprou. Se o contrato prevê visita
mensal e aconteceram sete no ano, você tem um problema contratual antes de ter um problema técnico.

Como pano de fundo de tudo isso existe a norma brasileira de manutenção de edificações, a ABNT NBR
5674
, que trata a manutenção predial como sistema — plano, registro e responsável — e não como uma
sequência de consertos. É a referência que sustenta a ideia de plano.

O ponto de partida do calendário

A tabela abaixo não é uma lista de obrigações legais — é um esqueleto para você preencher com as três
fontes acima. Serve para não esquecer nenhum sistema do prédio.

Sistema Ritmo que costuma aparecer O que se verifica
Elevadores visita periódica por empresa especializada, conforme contrato cabos, portas, nivelamento, comando, resgate
Reservatórios de água limpeza e potabilidade em ciclo curto, conforme exigência local limpeza, laudo, tampa, vedação
Bombas de recalque revisão periódica selo, rolamento, quadro de comando, alternância
Gerador teste com carga em ciclo curto partida, combustível, bateria, carga real
Sistema de combate a incêndio inspeção frequente do condomínio + manutenção pelo prazo do fabricante extintores, mangueiras, hidrantes, sinalização, iluminação de emergência
SPDA (para-raios) inspeção periódica com laudo continuidade, aterramento, corrosão
Instalações de gás inspeção periódica vazamento, ventilação, tubulação, válvulas
Portões e automatizadores revisão periódica motor, cremalheira, sensor, trava, anti-esmagamento
Quadros elétricos inspeção periódica aquecimento, aperto, identificação, disjuntores
Controle de pragas ciclo definido em contrato dedetização, desratização, caixas de gordura
Fachada e estrutura inspeção periódica; alguns municípios exigem laudo fissuras, infiltração, revestimento solto, corrosão
Impermeabilização de lajes e reservatórios inspeção periódica infiltração, ralo, rufo

Duas orientações valem mais que qualquer prazo específico:

Escreva a data da próxima, não o intervalo. “Semestral” não avisa ninguém; “próxima em 12/03” avisa.

Coloque um responsável nomeado em cada linha. Item sem dono é item que não acontece.

O calendário nasce da planta, não da lista

Aqui está o detalhe de método que muda o resultado, e ele veio da prática.

Naquele mesmo prédio, toda manutenção, obra, ocorrência e item de patrimônio carregava onde — e a
planta operacional tinha 64 locais cadastrados: garagem do subsolo, pelotis, barrilete superior e
inferior, casa de máquinas, casa do gerador, shafts, quadro elétrico, elevador social e de serviço,
halls, fachada, cobertura, os 25 andares nominados, sala dos motoristas, copa dos funcionários.

Quem administra prédio pensa por lugar, não por lista.

Na prática isso significa montar o plano andando: percorra os locais, e em cada um pergunte “o que aqui
precisa de atenção periódica?”
. Sai um plano com coisas que nenhuma lista genérica de internet tem — a
grelha que entope toda chuva, o ralo da cobertura, a porta corta-fogo que não fecha sozinha, a escada de
acesso que a maresia corrói.

O que registrar quando a preventiva acontece

Preventiva que aconteceu e não foi registrada não existe para a assembleia, para o seguro e para a
próxima discussão com o fornecedor.

O registro que funcionava naquele sistema tinha sempre a mesma forma — e vale copiar:

  • Data, hora de início e hora de término
  • Tipo: preventiva, corretiva ou eventual
  • Qual prestador, e quando possível o nome do técnico
  • O local exato: qual equipamento, qual edifício, qual andar
  • O que motivou e o que foi feito, em texto corrido

O resultado eram narrativas como “fez regulagem na porta do elevador social no 13º andar” e
“manutenção no ar condicionado da academia” — não uma marca de “ok” num formulário.

A diferença aparece meses depois, quando alguém pergunta por que o mesmo elevador parou três vezes. Com
“ok” no formulário, você tem um formulário. Com a narrativa, você tem um padrão — e um argumento na hora
de renovar o contrato.

O relatório mensal é o que fecha o ciclo

Plano sem leitura periódica vira decoração.

Uma vez por mês, leia o que foi registrado, filtrado por período e por prestador, e faça três perguntas:

  1. O que estava previsto e não aconteceu?
  2. Qual equipamento apareceu mais de uma vez? Repetição é sintoma, não coincidência.
  3. O prestador entregou a quantidade de visitas que o contrato prevê?

É uma leitura de quinze minutos, e é ela que transforma o registro em decisão. Naquele prédio o volume
justificava: 847 manutenções registradas, cerca de 25 por mês — uma por dia útil. Nenhum síndico
guarda isso de cabeça, e ninguém apresenta isso em assembleia de memória.

O que a preventiva evita, em uma frase cada

  • Elevador: parada longa, resgate, e o orçamento de emergência que chega sem comparação
  • Bomba: prédio sem água num sábado, com troca urgente pelo preço de quem não tem escolha
  • Combate a incêndio: risco real, e a multa de vistoria que vem junto
  • Infiltração: o conserto que custa dez vezes mais depois que atingiu a estrutura
  • Contrato: a renovação feita no escuro, sem saber se o serviço foi entregue

Nenhum desses itens é hipótese. Todos aparecem, em alguma forma, no histórico de qualquer prédio com mais
de dez anos.

Por onde começar se hoje não existe plano nenhum

Não tente montar o calendário completo na primeira semana. A sequência que funciona:

  1. Liste os contratos ativos e o que cada um promete entregar por mês ou por ano
  2. Ande os 60 e poucos lugares do seu prédio e anote o que pede atenção periódica
  3. Procure os manuais e os laudos que já existem — quase sempre existem, guardados por alguém
  4. Monte uma linha por item, com data da próxima e responsável nomeado
  5. Comece a registrar tudo que for executado, mesmo o que já estava acontecendo sem registro
  6. Leia o mês inteiro, uma vez por mês

Em noventa dias você tem plano, histórico e argumento. Em um ano, tem a proporção que abre este artigo.

Este texto não substitui laudo técnico nem projeto. Periodicidades e exigências variam conforme o
fabricante, o município e a norma vigente, e alguns sistemas exigem profissional habilitado com
responsabilidade técnica. Confirme cada item com o prestador e com a legislação local do seu prédio.

Leia também


O Chave Condo nasceu de uma operação com 847 manutenções registradas. Cada serviço entra ligado ao
local exato e ao equipamento, com data, hora de início e término, tipo, prestador e a descrição do que
foi feito — e o histórico do equipamento fica onde qualquer um consulta em segundos. É o plano virando
prova.

Estamos abrindo as primeiras vagas. Fale com a gente.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre manutenção preventiva e corretiva no condomínio?

A preventiva é agendada e acontece antes da falha, para evitá-la. A corretiva acontece depois, para
consertar. Um prédio que só reage chega perto de 90% de corretiva; numa operação bem conduzida a
proporção fica próxima de um para um. Calcule a sua separando os serviços do último ano entre agendados e
emergenciais.

Como montar um plano de manutenção preventiva de condomínio?

Liste os contratos ativos e o que cada um promete entregar, percorra todos os locais do prédio anotando o
que pede atenção periódica, reúna manuais e laudos existentes e monte uma linha por item — com a data
da próxima
, não o intervalo, e um responsável nomeado. Depois registre tudo que for executado e leia o
conjunto uma vez por mês.

De onde vem a periodicidade correta de cada manutenção?

De três fontes, nessa ordem: o manual do fabricante e o manual do edifício, a legislação local (bombeiros,
vigilância sanitária, prefeitura — que muda de cidade para cidade) e o contrato com o prestador. Tabelas
genéricas de internet servem só como esqueleto para não esquecer nenhum sistema, nunca como prazo legal.

Ter contrato de manutenção é o mesmo que ter preventiva?

Não. O contrato garante alguém para chamar; a preventiva é o que está no calendário e acontece sem
ninguém pedir. A pergunta que separa os dois é: quando foi a última visita preventiva, o que foi feito
nela e onde está o registro? Se o contrato prevê visita mensal e houve sete no ano, o problema é
contratual.