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ChaveCondo

Melhor sistema de gestão de condomínio: como escolher

Decisão

Antes de qualquer coisa, uma declaração que você merece ler no primeiro parágrafo: este blog é do Chave
Condo, que é um sistema de gestão de condomínio.
Temos interesse no assunto.

Por isso este texto não vai dizer qual é o melhor. Vai fazer uma coisa mais útil e mais difícil de
contestar: entregar os critérios com que você decide — inclusive contra nós, se for o caso.

“O melhor” é a pergunta errada

Não existe melhor sistema de condomínio em abstrato, pelo mesmo motivo que não existe melhor carro.
Existe melhor para um prédio de 24 unidades sem funcionário, e existe melhor para um edifício de 25
andares com portaria 24 horas, zelador, seis funcionários e uma administradora contratada.

A pergunta que leva a algum lugar é:

Quem vai alimentar esse sistema, quantas vezes por dia, e o que essa pessoa ganha com isso?

Guarde essa pergunta. Ela é o critério número um, e é a que mais separa a compra que dá certo da que vira
mensalidade paga por um cadastro vazio.

A lição que custa caro descobrir depois

Quando o sistema de administração condominial que rodou anos num condomínio de 90 unidades em Fortaleza
foi analisado, o achado mais valioso não foi o que funcionou. Foi o que não funcionou.

Três controles foram planejados, construídos, e nunca pegaram:

O controle O que aconteceu
Registro de entrada e saída na portaria 3 registros, em um único dia
Cronograma de 56 tarefas do turno estrutura montada, nenhuma tarefa descrita
Artigo do regimento no registro de infração campo existe, vazio em 100% dos casos

Nenhum dos três morreu por falta de treinamento ou de disciplina. Morreram porque custavam trabalho a
quem não colhia benefício
. O porteiro que anota visitante um a um durante o plantão está digitando para
outra pessoa ler. O síndico que precisa abrir um PDF de convenção para achar o número do artigo
simplesmente não vai abrir, no meio de uma ocorrência.

E o contraste é igualmente informativo: os módulos que duraram anos foram a reserva de área comum e o
protocolo de objetos. Os dois têm a mesma característica — evento pontual, com valor imediato para quem
registra.

A lição central: o controle sobrevive quando quem alimenta é quem se beneficia, e morre quando alguém
digita para outra pessoa ler.

Leve isso para a demonstração. É o critério que nenhum vendedor vai levantar sozinho.

Os sete critérios que decidem

1. Custo de registro, medido em toques. Para cada tarefa que acontece todo dia — registrar uma
manutenção, protocolar um objeto, anotar uma ocorrência —, conte quantos cliques e quantos campos
obrigatórios. Se a tarefa mais frequente do prédio custa doze campos, ela não vai ser feita. Este é o
critério que mais gente ignora e o que mais determina o resultado.

2. A unidade como centro, não como linha de uma lista. Puxe uma unidade qualquer e veja o que aparece.
O que precisa estar em uma tela só: proprietário e inquilino separados, quem mais mora ali, veículos com
placa, telefone de emergência com nome e parentesco, quem pode subir sem ligar, a imobiliária
responsável quando é alugado, e o ramal.

Isso não é capricho de cadastro. É o que responde às perguntas das três da manhã: o idoso passou mal,
para quem eu ligo? Chegou entrega e o apartamento está vazio? A filha chegou, pode subir? Quebrou o cano
do apartamento alugado, quem paga?

3. Local como dimensão obrigatória. Manutenção, obra, ocorrência e patrimônio precisam carregar
onde. Naquele prédio, a planta operacional tinha 64 locais — casa de máquinas, barrilete, shafts,
quadro elétrico, os andares nominados. Quem administra prédio pensa por lugar, não por lista, e um
sistema que só tem “área comum” como opção obriga o usuário a descrever o lugar no campo errado.

4. Texto livre, e pesquisável. Campo estruturado não conta a história. “Fez regulagem na porta do
elevador social no 13º andar após reclamação de demora”
é um dado, não um enfeite — e ele só vale se
alguém conseguir encontrá-lo daqui a dois anos. Pergunte se a busca alcança o texto das descrições.

5. Foto onde a foto é prova. Obra com antes e depois, item do patrimônio, objeto protocolado. E
pergunte o que acontece com essas fotos: onde ficam, quanto cabe, e se saem junto com os dados.

6. Continuidade além das pessoas. Síndico muda, zelador muda, administradora muda. Teste a pergunta:
“se eu sair amanhã, meu sucessor abre isso e entende sozinho?” Sistema cujo conhecimento mora na cabeça
de quem operou não resolveu o problema da memória — apenas mudou o lugar dele.

7. Porta de saída. Antes de entrar, pergunte como se sai: quais dados você leva, em que formato, e se
as fotos e os anexos vêm junto. A resposta a essa pergunta diz mais sobre a empresa do que qualquer
recurso da lista.

O roteiro da demonstração

A demonstração padrão é uma apresentação de telas. Inverta: peça para executarem tarefas, na frente
de você, cronometrando.

  1. Registre uma manutenção no elevador social do 13º andar, com hora de início e término, prestador e
    descrição. Quantos toques?
  2. Puxe a unidade 802 e me mostre proprietário, inquilino, veículos e telefone de emergência.
    Uma tela ou quatro?
  3. Encontre um serviço feito há oito meses buscando por uma palavra da descrição.
  4. Protocole um objeto deixado na área comum, com foto, vinculado à unidade e com prazo.
  5. Mostre o histórico de um equipamento — tudo que já foi feito naquele elevador.
  6. Gere o relatório do mês filtrado por prestador.
  7. Faça isso tudo na tela do celular, porque é onde o zelador e o porteiro estão.
  8. Exporte tudo e me mostre o arquivo que sai.

Se em alguma dessas o vendedor disser “isso está no roteiro de desenvolvimento”, você aprendeu mais nesse
minuto do que em uma hora de apresentação.

Cinco armadilhas

Comprar por quantidade de módulos. O número de funcionalidades é o argumento de venda mais fácil e o
menos correlacionado com resultado. Módulo que ninguém alimenta é tela morta.

Avaliar só a tela do síndico. Quem usa o sistema todo dia é a portaria e o zelador. Se a tela deles
for ruim, o cadastro do síndico fica vazio — e aí a tela bonita não mostra nada.

Confundir aplicativo do morador com gestão. São produtos diferentes resolvendo problemas diferentes.
Reserva e comunicado não substituem histórico de manutenção, e vice-versa.

Aceitar “isso a gente customiza”. Customização é promessa cara. O que importa é o que funciona hoje,
na demonstração, sem ajuste.

Trocar por causa de um recurso. Migração custa tempo, dinheiro e risco de perder histórico. Um recurso
isolado raramente paga essa conta.

A parte que ninguém pergunta e devia

O que acontece com o histórico quando a administradora muda? Se o sistema é contratado pela
administradora, e não pelo condomínio, o prédio pode descobrir na saída que o histórico não era dele. Vale
saber isso antes, não depois.

Como o sistema trata dados pessoais? O nicho trafega CPF, foto, data de nascimento de criança e
registro de entrada e saída de pessoas. Pergunte quem acessa o quê, quanto tempo cada coisa fica guardada
e o que acontece quando um morador sai do prédio.

O teste final, antes de assinar

Pegue as três coisas que mais te dão trabalho hoje. Não as mais graves — as mais frequentes.

Para cada uma, pergunte: “nesse sistema, quem faz isso, quantos toques custa, e o que essa pessoa ganha
em troca?”

Se as três respostas forem boas, o sistema tem chance de sobreviver ao terceiro mês. Se alguma delas
depender de alguém digitar para outra pessoa ler, você já sabe como termina.

Leia também


O Chave Condo foi desenhado a partir de uma operação real — 847 manutenções, 64 locais, a ficha de
plantão da unidade — e principalmente a partir do que falhou nela. Se os critérios deste texto te
levarem a outro sistema, ele fez o trabalho dele.

Estamos abrindo as primeiras vagas. Fale com a gente.

Perguntas frequentes

Como escolher um sistema de gestão para condomínio?

Pela pergunta que decide tudo: quem vai alimentar o sistema, quantas vezes por dia, e o que essa pessoa
ganha com isso. Depois, meça o custo de registro em toques nas tarefas mais frequentes, veja se a unidade
aparece completa numa tela só, se o local é dimensão obrigatória e se dá para exportar tudo ao sair.

O que avaliar na demonstração de um software de condomínio?

Não aceite apresentação de telas: peça para executarem tarefas reais na sua frente, cronometrando.
Registrar uma manutenção com local e hora, puxar uma unidade com proprietário, inquilino e veículos,
buscar um serviço antigo pela descrição, gerar o relatório do mês, fazer tudo no celular e exportar os
dados.

Por que sistemas de condomínio ficam vazios depois de alguns meses?

Porque o registro custa trabalho a quem não colhe benefício. Numa operação real, o controle de entrada e
saída durou três registros num único dia, e o campo do artigo do regimento ficou vazio em cem por cento
dos casos. O que dura é o registro de evento pontual com valor imediato para quem registra.

Aplicativo para morador é a mesma coisa que sistema de gestão?

Não. São produtos diferentes para problemas diferentes. O aplicativo do morador resolve comunicação,
reserva e conveniência; o sistema de gestão resolve histórico, manutenção, patrimônio e a ficha da
unidade. Um não substitui o outro, e comprar um achando que leva os dois é fonte comum de frustração.